domingo, 9 de maio de 2010
Parte 2 - Viagem à África mãe, mãe África (Maputo, Moçambique)...
Depois de se fazer uma viagem de avião que atravessa em cerca de 10 horas o continente africano de norte para sul, eis que chegamos a Maputo, capital de Moçambique. Chegados ao aeroporto e sentimo-nos abraçados por África. Digo isto,porque dias antes da viagem, metemos conversa com uma senhora que estava parada no trânsito ainda em Portugal e que tinha um autocolante no vidro de trás que dizia Suazilândia, que é um pequeno país que faz fronteira com África.
Fizemos sinal para baixar o vidro do carro e começamos a falar com a senhora que tinha um olhar desconfiado:
- Boa tarde, reparámos no autocolante que tem no carro. Por acaso é da Suazilândia?
- Não, sou de Moçambique.
- Ai que bom. É que nós vamos a Moçambique!
- Vão adorar. Respondeu a senhora com um enorme sorriso nos lábios.
- Eu vivi lá 30 anos . Quando chegarem ao aeroporto e sair da porta do avião, vão sentir-se abraçado por África.
Entretanto o semáfero vermelho passou para verde, os automobilistas que estavam a trás de nós começaram a buzinar, porque estavam com pressa e nós arrancamos despedindo-nos daquela simpática senhora com um acenar de mãos, que foi retribuído por ela.
E não é que a senhora que conhecemos no meio do trânsito parada num semáfero vermelho, tinha mesmo razão.
Na imagem vê-se a Catedral construída em 1944 e à direita o conselho Municipal, que ficam na Praça da Independência.
Quando íamos a entrar para a Catedral pela porta principal, esta estava fechada. Logo apareceu um jovem que trazia pinturas enroladas nas mãos, que nos indicou que era a porta lateral direita que estava aberta. Depois disse as seguintes palavras:
- Vão ver a igreja, que quando saírem vão conhecer o meu talento!
O nome deste jovem é Santos , mas vou falar novamente dele lá mais prá frente.
Entramos na Catedral e estava a ser embelezada, pois no dia seguinte ia decorrer um casamento. Quando saímos, fomos a bordados pelo jovem Santos, que nos mostrou o seu talento. Nós gostamos, mas afirmámos que não íamos levar nada. É claro que o jovem Santos ficou um bocado desiludido e perguntou-nos se amanhã estaríamos em Maputo. Dissemos que íamos à África do Sul, depois para a ilha de Inhaca e que regressaríamos 6a feira a Maputo. Ele acenou com a cabeça e despedimo-nos.
A caminho da fortaleza, não devíamos ter andado mais do que 200 a 250 metros do hotel e fomos abordados por um policia. A policia lá não anda com pistolas à cintura, mas sim com a famosa metralhadora russa de nome Kalashnikov.
- Boa tarde! A vossa identificação?
- Tem aqui os passaportes...
- Portugueses! Vocês lá em Portugal não têm um papel de identificação, como é que se chama?
- Bilhete de identidade...
- Isso, bilhete de identidade. Têm com vocês o bilhete de identidade?
- Não, só temos o passaporte...
- Ai sim. Mas precisam de andar com o passaporte e o bilhete de identidade.
- Mas o bilhete de identidade não é preciso, mas se assim é vamos ao hotel buscar...
Depois de um breve momento de silêncio, eis que ele disse - mas há outro processo!
Nós nem queríamos acreditar no que estávamos a ouvir "há outro processo". Rapidamente dissemos que o hotel ficava a 200 metros e que então íamos buscar os bilhetes de identidade.
O policia lá viu que não ia haver"outro processo", entregou-nos os passaportes e disse - vão lá vá.
E lá continuámos o nosso caminho em direcção à fortaleza.
Perto do Shopping de Maputo fomos abordados por outro jovem de nome curioso. Dizia chamar-se Jorge Sampaio. Achamos muita piada, perguntamos-lhe várias vezes o nome e ele respondeu sempre Jorge Sampaio.
O Jorge também andava a vender arte, neste caso umas máscaras feitas em madeira. Queria 20 dólares, mas rapidamente desceu para 10 dólares. Nós dissemos que realmente eram engraçadas, mas que não iríamos levar. E partimos à descoberta de Maputo. O Jorge seguiu-nos e perguntou-nos aonde queríamos ir, pois ele conhecia bem Maputo. Nós dissemos que não era necessário, mas ele aos poucos foi-nos cativando...
E assim andamos por Maputo com um guia pessoal. Levou-nos a ver a casa de ferro e a estação de ferro, ambas obras realizadas pelo famoso arquitecto francês Gustave Eiffel.
Casa totalmente feita em ferro em 1892, que seria para o governador de Moçambique a habitar. Na altura da independência de Moçambique a casa era para ser a morada oficial de Samora Machel. Mas o Gustave Eiffel não teve em conta o clima africano, pois uma casa feita em ferro e o calor que se faz sentir em África, tornaram a casa impossível de ser habitada. Agora é uma espécie de museu, pois com o ar condicionado a tarefa torna-se mais fácil...
Estação ferroviária de Maputo, construída também pelo Gustave Eiffel entre 1913 - 1916.
É no interior da estação que se pode ver a vida desta...
O trânsito em Maputo embora confuso e as ruas praticamente sem semáferos o tráfego vai seguindo com alguma fluidez. Curioso é ver as velhinhas e degradadas, mas sempre prontas e robustas Toyotas hiaces a fazerem de transporte público. É normalíssimo ver uma carrinha destas a levar cerca de 12 pessoas, animais, sacos de ração e colchões...
Em Moçambique o Toyota é rei. Marcas como a Mazda e Kia também se vão vendo. Mas o Toyota, principalmente a Hiace e os 4x4 são os senhores das estradas. É impressionante como é que alguns praticamente desfeitos, ainda conseguem andar pelas ruas. Eu quando comprar um carro novo, quero um Toyota. Pois como dizia o anuncio, "o Toyota veio para ficar".
Agora percebe-se porque é que se prefere Toyota principalmente se forem 4x4. A malta ainda se queixa das estradas em Portugal...
E lá fomos nós continuando a nossa visita pelas ruas de Maputo, sempre acompanhadas pelo nosso "guia" Jorge Sampaio. A partir do momento que andávamos com ele, os vendedores raramente se aproximavam de nós. Uma constante de África são os aromas e principalmente as cores...
Nas Ruas de Maputo tudo se vende, tudo se compra para se conseguir (sobre)viver...
Havia ruas em que se vendia sapatos, ténis, roupas, brinquedos.... Praticamente era tudo usado. De vez em quando lá havia artigos novos. Segundo o Jorge, alguns países enviam esses artigos para Moçambique e cerca de metade do que se envia, o governo moçambicano distribui. pela população. A outra metade vende aos armazenistas, que por sua vez vendem sacos com cerca de 50 quilos ou de roupa, calçado ou brinquedos, que as pessoas compram e se põem a vender pelas ruas de Maputo...
Estava a ser muito interessante conhecer a vida das ruas de Maputo, principalmente porque o nosso "guia" Jorge nos levava a sítios que se calhar nós não nos aventuraríamos. Estava a ser uma experiência muito enriquecedora. Neste momento estávamos numa artéria principal da Maputo a Avenida da Guerra Popular, quando de repente um senhor já mais velho e com ar de quem estava alcoolizado passa e se encosta a nós. Mas o Jorge Sampaio, vira-se para trás e começa a gritar e a gesticular vivamente e a dizer - larga isso, o que é que estás a fazer.
Nós ficamos um bocado sobressaltados. O Jorge pediu-nos que a partir de agora andássemos sempre à frente dele - se vocês andam atrás de mim eu não vos consigo ver, nem proteger. Eu reparei que aquele que passou por nós tinha feito sinal a outro que vinha a trás e eles iam -vos roubar.
Ficámos um bocado receosos e o coração batia forte. No meio daquela agitação ficámos contentes por termos o Jorge Sampaio como guia e como guarda-costas. Afinal aquele jovem que nos tinha abordado a umas horas atrás era para nós a partir daquele momento o nosso anjo da guarda. Obrigado Jorge...
Depois deste incidente ainda fomos ver o museu de arte de Maputo, mas não nos era permitido tirar fotografias. Foi curioso e gratificante ver o Jorge Sampaio muito interessado a absorver toda aquela arte, ou não fosse ele um artista. Ainda bem que lhe pudemos oferecer esta oportunidade de conhecer o museu de arte. Ao lado deste existe a ASSEMA (associação de escultores de arte makonde). É um espaço onde os artistas podem exercer a sua arte e podem lá pernoitar.
A seguir voltámos para o hotel pois estávamos cansados. Tínhamos feito 10 horas de viagem de avião durante toda a noite e depois de passar um dia inteiro a passear por Maputo o cansaço era visível. Quando chegámos ao hotel convidámos o Jorge para beber qualquer coisa. No início disse que não, mas lá acabou por ceder. Pedi uma cerveja e ele beber uma fanta. Durante a conversa contou-nos que tinha 26 anos, que tinha trabalhado como electricista numa oficina de automóveis, mas que pagavam muito mal e por isso como tinha jeito para trabalhar com a madeira, passou a fazer os seus trabalhos e a vende-los na rua, passando a ser o seu próprio patrão.
Era pai de 3 filhos, sendo a mais velha boa aluna. Pois tinha tirado 20 valores a matemática e a português.
- Nós lá em casa falamos sempre em português, não falamos o dialéctico. Assim quando os meus filhos vão para a escola percebem melhor aquilo que a professora diz, porque na escola só se fala em português.
Nós secretamente já tínhamos combinado que íamos dar dinheiro ao Jorge. Então entre a bebida fresca e a conversa, demos-lhe 20 dólares, ou seja, o que ele nos tinha pedido pelas máscaras, mas assim ficou com o dinheiro e com as máscaras. Ele olhou para o dinheiro e com um ar bué agradecido disse.
- Muito obrigado, eu com estes 20 dólares vou comprar um saco de arroz de 50 quilos e com ele consigo alimentar a minha família (5 pessoas) durante 2 meses...
É nestas alturas que um gajo se sente pequenino e sente que levou um enorme murro no estômago. Realmente estávamos perante um verdadeiro anjo. Antes de nos despedirmos oferecemos-lhe amostras de perfumes, que ele adorou.
Se algum dia forem a Maputo passem pelo shopping de Maputo é onde o Jorge Sampaio costuma estar a vender a sua arte...
Mesmo com a nebulosidade no céu, ainda deu para assistir ao pôr do sol na África mãe, mãe África...
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Parte 1 - Preparação para ir à mãe África, África mãe...
Para além de se ter que tratar do visto para irmos a Moçambique e ao Kruger Park na África do Sul, mais a consulta do viajante, cumprir as vacinas necessárias e iniciar a toma do medicamento antimalárico Malarone. Tem que se proceder a uma escolha adequada do vestuário. Preferencialmente cores claras ou esverdeadas, bem como calças e camisas de manga comprida e o respectivo repelente de insectos, de forma a impedir e minimizar sermos picados e não contrairmos a mundialmente conhecida malária...
Obrigado...
Depois de estar em África, mais precisamente em Moçambique e na África do Sul, fui hoje brindado com o poster de um grande filme "Invictus" que estava no cinema City Classic Alvalade. Para além de se passar na África do Sul e de falar do grande Nelson Mandela. O filme foi realizado por um dos melhores do mundo, o inigualável Clint Eastwood...
terça-feira, 4 de maio de 2010
O Já Mandas, Não?! continua...
Peço desculpa por não andar a actualizar o blog, mas associado a problemas com a internet, fiz uma viagem que há muito tinha em mente fazer. Espada, espadarte, Portugal, portugueses, África mãe, mãe África... É verdade fui a África e adorei...
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Estou como o Hulk...
Paris, Londres, Oslo… o desaire continua. Tudo à conta de um vulcão com um nome merdoso, Eyjafjallajoekull. Excomungado sejas!
Agora deixou de ser um amigo, para passar a ser vários amigos. O Eyjafjallajoekull continua a intrometer-se e a causar azia. A todos aqueles que não conseguiram vir devido ao engraçadinho do vulcão, beijinhos e abraços.
Desculpem-me, mas não consigo resistir a expressar o que me vai nas vísceras. F***-se, f***-se 3 vezes…
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Desculpem lá mais uma vez, mas...
Era uma destas que eu precisava, uma máquina de teletransporte, igual à da Star Trek. F***-se, inventam tanta coisa, para quando uma destas...
Desculpem lá, mas...
(é esta a origem da minha azia...)
Recuso-me aceitar que um filho da p**a dum vulcão, ainda por cima com um nome difícil de prenunciar, Eyjafjallajoekull, situado na Islândia. Se intrometa entre mim e um amigo. F***-se, f***-se 3 vezes, estou mesmo irritado. Só me apetece praguejar...
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Eis mais uma forma de Luta...
CLIQUE AQUI
Para quem viu o documentário “Pare Escute Olhe" e se sentiu revoltado, ou para quem está a favor da preservação da linha do Tua , eis mais uma forma de luta: escreva aos deputados - representantes do povo no Parlamento - e mostre a sua indignação. É só clicar e aparece uma carta pré definida, mas que pode ser alterada, modificada, acrescentada...
Para quem viu o documentário “Pare Escute Olhe" e se sentiu revoltado, ou para quem está a favor da preservação da linha do Tua , eis mais uma forma de luta: escreva aos deputados - representantes do povo no Parlamento - e mostre a sua indignação. É só clicar e aparece uma carta pré definida, mas que pode ser alterada, modificada, acrescentada...
domingo, 11 de abril de 2010
Sem comentários...
(Texto retirado do blog Pare, escute, olhe)
“OBRIGADO POR TUDO O QUE FIZERAM POR NÓS”
Os ponteiros do relógio aproximavam-se das duas da tarde. Na Ribeirinha, aldeia central do documentário, as pessoas concentravam-se à porta do café Lucky Luke. O dia era especial, pela primeira vez iam ver o filme em que são protagonistas.
Autocarros, contratados pela Câmara de Mirandela, percorreram várias aldeias a apanhar todos aqueles que não têm mais nenhuma forma para se deslocar. Para facilitar o processo, Acácio Amaral, pegou na sua velha barca, que há muito não pousava nas águas do rio Tua, passou, dois a dois, alguns habitantes da aldeia de Barcel, localizada ao lado da Ribeirinha - a falta de uma ponte entre as aldeias faz com que para se deslocarem por estrada tenham de fazer 14 km.
Abílio, ex-ferroviário personagem central do documentário, esteve atento a todas as movimentações. Um contratempo na sua saúde impediu-o de rumar a Mirandela, ao contrário de grande parte dos habitantes.
No Centro Cultural de Mirandela, os 480 lugares não chegaram para acolher todos os interessados, muitos foram os que optaram ficar de pé para ver "Pare, Escute, Olhe". As luzes apagaram-se, do escuro da sala surgiram muitas reacções: riso, silêncio, revolta, um turbilhão de emoções.
No final da sessão, ainda a quente, as reacções custavam a sair: “Estou muito emocionado”; “Nunca imaginei que a nossa terra fosse tão bonita”; “Fiquei feliz por ver muitas pessoas a favor do comboio e contra a barragem”.
O xi coração de Jorge Laiginhas (escritor transmontano), as palavras sábias de Pedro Fernandes (jovem agricultor), o calor humano dos amigos, da família, de todos os que nos acompanharam nesta caminhada, são momentos que vão ficar para sempre na nossa memória, assim como, todas as pessoas que chegavam ao pé de nós e diziam: “Obrigado por tudo o que fizeram por nós”. É indescritível e difícil de transmitir tudo o que sentimos naquele momento, mas fica a certeza de que valeu a pena os dois anos e meio de trabalho e dedicação. Um agradecimento especial à Câmara de Mirandela, ao Pedro, à Graça e António pelo apoio.
Depois da azáfama da apresentação, no Domingo, passámos o dia na Ribeirinha. Organizámos uma sessão no Lucky Luke para os que não puderam estar presentes em Mirandela, inclusive o Ti Abílio. Resumindo: um momento delicioso a juntar a muitos outros.
Como não podia deixar de ser, a conversa terminou à mesa ao sabor de umas belas alheiras, queijos e enchidos. Regressámos, também como é habitual, com a mala do carro a abarrotar de batatas, cebolas, legumes, alheiras, mimos que há muito nos habituaram. Em Trás-os-Montes sentimo-nos em casa.
OBRIGADO POR TUDO O QUE FIZERAM POR NÓS
Jorge Pelicano e Rosa Silva
Publiquei esta postagem a 13 de fevereiro de 2008 com o título" Mágoa é o que vou sentir, se este paraiso desaparecer...!"
A construção da barragem no Rio Tua levará à destruição de paisagem do Douro Vinhateiro, considerada Património da Humanidade pela UNESCO.
Lia-se ontem no Jornal de notícias "O Instituto Nacional da Água (INAG) admitiu, em missiva enviada à Câmara de Murça, a possibilidade de baixar a cota da barragem do Tua (inicialmente de 200 metros) (...) assim, a linha ficaria submersa apenas até Brunheda (20 quilómetros).Mas, qualquer que seja a cota da barragem a construir, a linha do Tua deixará de ter ligação à linha do Douro".
Um desabafo:
Conheço bem a região, como as palmas das minhas mãos, assim dizem os de lá. Com o passar dos anos, cada vez gosto mais daquilo e cada vez mais entendo o Miguel Torga quando descreve extasiado a beleza telúrica das fragas graníticas.
É uma das viagens mais belas que se pode fazer, uma pessoa fica encantada com as cores, os cheiros, os sons e apaixonado por esse "Reino Maravilhoso."
Vai e deixa-te conquistar pela beleza única de um sítio único!
Vejam, Divulguem, Lutem...
Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.
Dezembro de 91. Uma decisão política encerra metade da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela. Quinze anos depois, o apito do comboio apenas ecoa na memória dos transmontanos. A sentença amputou o rumo de desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal, tornando-o no país mais centralista da Europa Ocidental.
Os velhos resistem nas aldeias quase desertificadas, sem crianças. A falta de emprego e vida na terra leva os jovens que restam a procurar oportunidades noutras fronteiras. Agora, o comboio que ainda serpenteia por entre fragas do idílico vale do Tua é ameaçado por uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das três mais belas linhasferroviárias da Europa.
PARE, ESCUTE, OLHE é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. Esses partiram com o comboio, impunes. O povo ficou, isolado, no único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada.
Trás-os-Montes, região esquecida e despovoada, vítima de promessas políticas incumpridas. O anúncio da construção de uma barragem ameaça a centenária linha ferroviária do tua. A identidade do povo transmontano está em risco de submergir.
Vão ao Blog PARE, ESCUTE, OLHE ou ao Site PARE, ESCUTE, OLHE e adquiram mais informação sobre a falsidade, a mentira, o asco e a peçonha que envolve a construção da "futura" barragem no rio Tua e a destruição da linha férrea do Tua, bem como a destruição da identidade de um povo, a identidade de um país e por último, mas não menos importante a destruição de um bem que é de todos, a natureza.
Revolta-te, junta-te e protesta em defesa da verdade e do bem comum, contra a mentira e a política do cimento e contra a política de dar mais a quem tudo tem e tirar o pouco a quem já nada tem.
Junta-te a nós e assina o MANIFESTO. Como disse Dolores Ibárruri, essa figura imortal da história mundial, também conhecida como La Pasionaria. “NO PASARÁN!”, “NÃO PASSARÃO!”
sábado, 10 de abril de 2010
Punk's Not Dead...
O Sex Pistols é uma banda ícone do punk rock, formada em 1975, em Londres. É considerada uma das maiores bandas de punk da história, ao lado de Ramones (a banda precursora do movimento) e The Clash.
O antigo agente da banda inglesa Sex Pistols e uma das figuras de referência do punk, em especial, o britânico, Malcolm McLaren, morreu vítima de cancro a 8 de Abril.
Ainda me lembro da primeira vez que ouvi Sex Pistols. Tinha 12 anos e um amigo deu-me uma cassete piratiada, da marca BASF extra ferro II. A qualidade do som era francamente má, mas as músicas eram rebeldes e inspiradoras. E como outra grande banda de punk, os Exploited, diziam numa das suas músicas, "Punk's not dead!" Esta mensagem só peca pela demora...
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Suicidal Comedy Rules...
Sacha Noam Baron Cohen (Londres, 13 de outubro de 1971) é um premiado actor e comediante britânico. As suas principais personagens são Borat, Ali G e Bruno. Cohen é judeu praticante e historiador de formação. Sua linha de pesquisa contemplava as raízes dos preconceitos do mundo contemporâneo. Estive a rever o filme Bruno e é simplesmente brutal...
Foi a 9 de Abril que tudo aconteceu...
A Batalha do Lys (conforme a historiografia francesa) ou Batalha de La Lys, também conhecida como Batalha de Ypres 1918, ou ainda Quarta Batalha de Ypres , e como Batalha de Armentières pela historiogafia britânica e alemã, deu-se entre 9 e 29 de Abril de 1918, no vale da ribeira da La Lys, sector de Ypres, na região da Flandres, na Bélgica.
Nesta batalha, que marcou a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial, os exércitos alemães, provocaram uma estrondosa derrota às tropas portuguesas, constituindo a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcácer-Quibir, em 1578.
A frente de combate distribuía-se numa extensa linha de 55 quilómetros, entre as localidades de Gravelle e de Armentières, guarnecida pelo 11° Corpo Britânico, com cerca de 84.000 homens, entre os quais se compreendia a 2ª divisão do Corpo Expedicionário Português (CEP), constituída por cerca de 20 000 homens, dos quais somente pouco mais de 15 000 estavam nas primeiras linhas, comandados pelo general Gomes da Costa. Esta linha viu-se impotente para sustentar o embate de oito divisões do 6º Exército Alemão, com cerca de 55 000 homens comandados pelo general Ferdinand von Quast (1850-1934). Essa ofensiva alemã, montada por Erich Ludendorff, ficou conhecida como ofensiva "Georgette" e visava a tomada de Calais e Boulogne-sur-Mer. As tropas portuguesas, em apenas quatro horas de batalha, perderam cerca de 7.500 homens entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros, ou seja mais de um terço dos efectivos, entre os quais 327 oficiais.
Entre as diversas razões para esta derrota tão evidente, têm sido citadas, por diversos historiadores, as seguintes:
A revolução havida no mês de Dezembro de 1917, em Lisboa, que colocou na Presidência da República o Major Doutor Sidónio Pais, o qual alterou profundamente a política de beligerância prosseguida antes pelo Partido Democrático.
A chamada a Lisboa, por ordem de Sidónio Pais, de muitos oficiais com experiência de guerra ou por razões de perseguição política ou de favor político.
Devido à falta de barcos, as tropas portuguesas não foram rendidas pelas inglesas, o que provocou um grande desânimo nos soldados. Além disso, alguns oficiais, com maior poder económico e influência, conseguiram regressar a Portugal, mas não voltaram para ocupar os seus postos.
O moral do exército era tão baixo que houve insubordinações, deserção e suicídios.
O armamento alemão era muito melhor em qualidade e quantidade do que o usado pelas tropas portuguesas o qual, no entanto, era igual ao das tropas britânicas.
O ataque alemão deu-se no dia em que as tropas lusas tinham recebido ordens para, finalmente, serem deslocadas para posições mais à rectaguarda.
As tropas britânicas recuaram em suas posições, deixando expostos os flancos do CEP, facilitando o seu envolvimento e aniquilação.
O resultado da batalha já era esperado por oficiais responsáveis dentro do CEP, Gomes da Costa e Sinel de Cordes, que por diversas vezes tinham comunicado ao governo português o estado calamitoso das tropas.
No entanto é de realçar o facto de a ofensiva "Georgette" se tratar duma ofensiva já próxima do desespero, planeada pelo alto comando da Alemanha Imperial para causar a desorganização em profundidade da frente aliada antes da chegada das tropas Norte-Americanas que nessa altura se encontravam prestes a embarcar ou já em trânsito para a Europa.
O objectivo do general Ludendorff no sector Português consistia em atacar fortemente nos flancos do CEP, consciente que nesse caso os flancos das linhas Portuguesa e Britânica vizinha recuariam para o interior das suas zonas defensivas respectivas em vez de manterem uma frente coerente, abrindo assim uma larga passagem por onde a infantaria alemã se pudesse lançar. Coerente com essa táctica e para assegurar que os flancos do movimento alemão não ficavam desprotegidos, os estrategas alemães decidiram-se a simplesmente arrasar o sector Português com a sua esmagadora superioridade em capacidade de fogo artilheiro (uma especialidade alemã), e deslocando para a ofensiva um grande número de efectivos como se explica acima, (nas palavras dos próprios: "Vamos abrir aqui um buraco e depois logo se vê!", o que também indicia o estado de espiríto já desesperado do planeamento da ofensiva), nestas condições não surpreende a derrocada do CEP, que apesar de tudo resistiu como pôde atrasando o movimento alemão o suficiente para as reservas aliadas serem mobilizadas para tapar a brecha.
Esta resistência é geralmente pouco valorizada em face da derrota, mas caso esta não se tivesse verificado a frente aliada na zona poderia ter sido envolvida por um movimento de cerco em ambos os flancos pelo exército alemão, o que levaria ao seu colapso. Trata-se de uma batalha com muitos mitos em volta a distorcerem a percepção do realmente passado nesse dia 9 de Abril de 1918.
Uma situação análoga à da batalha de La Lys foi a da contra-ofensiva alemã nas Ardenas na parte final da Segunda Guerra Mundial (Batalha do Bulge), que merece comparação pelas semelhanças entre ambas. Novamente um exército aliado escasso para defender o sector atríbuido (I Exército dos Estados Unidos da América), sujeito a uma ofensiva desesperada por parte do Alto Comando Alemão (OKW - Oberkommando der Wehrmacht), para desorganizar a frente aliada arrombando-a em profundidade, usando para o efeito quatro exércitos completos (dois blindados) para atacar no sector do I exército Norte-Americano, a consequência foi o colapso local da frente, com retirada desorganizada dos americanos e com milhares a serem feitos prisioneiros pelos alemães, contido depois com as reservas aliadas (incluindo forças sobreviventes da Batalha de Arnhem ainda em recuperação como a 101ª e a 82ª divisões aerotransportadas) e com o desvio de recursos de outros exércitos aliados nas regiões vizinhas (com destaque para o III Exército do general Patton), obrigando a passar duma situação de ofensiva geral aliada para passar à defesa do sector das Ardenas a todo o custo. Os aliados só retomariam a iniciativa na frente ocidental passado mais de um mês.
Comparando ambas compreende-se melhor a derrocada das forças do CEP em La Lys.
O Soldado Milhões
Nesta batalha a 2ª Divisão do CEP foi completamente desbaratada, sacrificando-se nela muitas vidas, entre os mortos, feridos, desaparecidos e capturados como prisioneiros de guerra. No meio do caos, distinguiram-se vários homens, anónimos na sua maior parte. Porém, um nome ficou para a História, deturpado, mas sempiterno: o Soldado Milhões.
De seu verdadeiro nome Aníbal Milhais, natural de Valongo, em Murça, viu-se sozinho na sua trincheira, apenas munido da sua menina, uma metralhadora Lewis, conhecida entre os lusos como a Luísa. Munido da coragem que só no campo de batalha é possível, enfrentou sozinho as colunas alemãs que se atravessaram no seu caminho, o que em último caso permitiu a retirada de vários soldados portugueses e ingleses para as posições defensivas da rectaguarda. Vagueando pelas trincheiras e campos, ora de ninguém ora ocupados pelos alemães, o Soldado Milhões continuou ainda a fazer fogo esporádico, para o qual se valeu de cunhetes de balas que foi encontrando pelo caminho. Quatro dias depois do início da batalha, encontrou um major escocês, salvando-o de morrer afogado num pântano. Foi este médico, para sempre agradecido, que deu conta ao exército aliado dos feitos do soldado transmontano.
Regressado a um acampamento português, um comandante saudou-o, dizendo o que ficaria para a História de Portugal, "Tu és Milhais, mas vales Milhões!". Foi o único soldado raso português da Primeira Guerra a ser condecorado com o Colar da Ordem da Torre e Espada, a mais alta condecoração existente no país.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
À primeira seguidora do blog "Já Mandas, Não?!", o meu obrigado...
Chama-se Susana Ferreira, reside na cidade dos anjos (Los Angeles, EUA) e é a primeira seguidora do "Já Mandas, Não?!"
E tu do que é que estás à espera...?
terça-feira, 6 de abril de 2010
Vi as imagens e os sons na televisão e lacrimejei...
Um dia como os outros no Iraque
Por Pedro Sales
Julho de 2007. Iraque. Helicópteros norte-americanos abrem fogo e atingem mortalmente 12 civis, entre os quais dois jornalistas da Reuters. Na operação, cujo vídeo foi ontem divulgado através de uma fuga de informação colocada no Youtube pela wikileaks, foram também feridas com gravidade duas crianças. O Pentágono sempre garantiu tratar-se de uma acção contra forças hostis, mas o filme menciona as sucessivas afirmações dos responsáveis militares dos EUA, as quais são categoricamente desmentidas pelas imagens. Não só o alvo principal dos pilotos são dois jornalistas, que nunca demonstram qualquer atitude hostil, como, violando todas as regras internacionais, abatem um a um os feridos que se arrastam no terreno depois do ataque inicial.
A forma como, depois da notícia correr mundo, o Pentágono finalmente publicou toda a informação sobre esta operação, considerando que todos os passos foram justificados – incluindo o assassinato dos feridos que agonizavam no terreno – é a melhor indicação que não estamos perante mais um caso dessa moderna forma de cinismo semântico que dá pelo nome de danos colaterais ou fogo amigo, mas a assistir ao modus operandi das tropas americanas no Iraque ou Afeganistão.
A wikileaks, uma organização de jornalistas, advogados e activistas dos direitos humanos que colige e coloca online documentação classificada e incómoda para vários governos e multinacionais, já afirmou ter em sua posse o vídeo do ataque aéreo que resultou na morte de vários civis afegãos num casamento. Talvez isso ajude a perceber porque razão o Pentágono colocou esta organização na lista de inimigos que ameaçam a segurança dos EUA, ou tem vindo a estudar uma forma para a silenciar definitivamente.
Documentos como estes, na sua estúpida brutalidade, são o instrumento mais poderoso para desmistificar a ideia de que os “jogos de guerra” que vemos na televisão são uma versão asséptica e cirúrgica das guerras de outrora, tornando cada vez mais difícil organizar a próxima campanha de desinformação para “vender” às opiniões públicas a guerra que se segue.
Gentilmente "retirado" do blog Arrastão
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