"Afastar muitos para longe do rebanho, foi para isso que eu vim!" Nietzsche

terça-feira, 21 de junho de 2011

Já se começa a preparar os serviços para os cortes do novo titular do Ministério da Saúde, Paulo Macedo?...


O novo da Saúde, Paulo Macedo, actual administrador do BCP, deixou a sua marca no Governo de Durão Barroso em 2004, quando a então ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite o convidou para director-geral dos Impostos.

A sua comissão de serviço terminou três anos mais tarde, tendo o seu nome sido envolvido em polémica nos últimos meses do mandato enquanto director-geral dos Impostos devido à remuneração que auferia no momento da requisição ao BCP (cerca de 23 mil euros). Esta polémica aconteceu depois ter sido aprovado o Estatuto de Pessoal Dirigente da Função Pública, que impedia a existência de salários superiores aos do primeiro-ministro.

A única ligação de Paulo Macedo ao sector da Saúde está ligada ao BCP, onde é administrador, por exemplo, da Médis, a empresa que gere seguros de saúde.

Paulo Macedo é vice-presidente do conselho de administração várias empresas do grupo BCP, desde a fundação do grupo à Millennium BCP Ageas, Médis, Ocidental e Pensões Gere.

O novo ministro da Saúde inicia a sua ligação ao BCP em 1993, na direcção da unidade de marketing estratégico, da secção comercial de cartões de crédito, da rede de comércios e empresários e no gabinete do euro no centro corporativo.

Entre 1998 e 2000 foi administrador da Comercial Leasing, seguindo-se o Interbanco e a Médis.

Em 2007, após terminado o período na direcção-geral dos Impostos, foi para director-geral do BCP, do qual detém mais de 271 mil acções, segundo dados de 17 de Maio deste ano.

Nascido em Lisboa a 1963, é vogal do conselho de supervisão da Euronext e faz parte do conselho do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), pelo qual obteve a licenciatura em Organização e Gestão de Empresas, em 1986.

Na sequência da sua formação inicial, foi assistente estagiário no ISEG, em simultâneo com trabalho na divisão de Consultoria Fiscal na Arthur Andersen (antes de esta se ter fundido com a Deloitte), tendo continuado como professor do instituto da Universidade Técnica de Lisboa e no programa de MBA da AESE.










Afinal vai ficar. Mais uma vez, pouco vale a sua palavra. Tantas criticas aos políticos, tão pouca autoridade para os criticar...


Fernando Nobre queria, com o mesmo direito que assiste a qualquer cidadão com mais de 35 anos, ser presidente. Só não chegaria a Belém se alguém lhe desse um tiro na cabeça. Ninguém lhe deu um tiro na cabeça. Foram só os eleitores que não lhe deram os votos.

Depois das eleições, Fernando Nobre prometeu que não ocuparia nenhum lugar oferecido por um partido. "Não aceito nenhum cargo partidário ou governativo. Está assente, determinado, não volto atrás." Deidicar-se-ia à cidadania. Não foi preciso passarem muitos meses para voltar atrás no que estava assente e determinado. Aceitou ser cabeça de lista do PSD por Lisboa. E como não é com pouco que se arranca um homem como Nobre da sua paixão pela cidadania, a candidatura vinha, coisa inédita, com a promessa pública de ocupar o lugar de presidente da Assembleia da República.

Um lugar que nunca lhe poderia ter sido oferecido previamente: dependeria, caso o PSD não tivesse maioria absoluta, dos votos de outros. É verdade que a praxe manda eleger o candidato do partido mais votado. Mas nem é costume esse candidato vir decidido à partida, independentemente da composição do parlamento - e de se saber se há uma maioria que não tenha objeções de consciência contra o nome proposto -, nem é teimar-se num nome que, desde o princípio, se sabe que não vai passar. E sabia-se que Nobre dificilmente passaria. O CDS não tinha obrigação de apoiar os truques espertos pré-eleitorais de Passos Coelho. Os outros partidos ainda menos.

Os deputados não estão obrigados a eleger um presidente que fez toda uma campanha exibindo o seu desprezo por eles e que, ainda por cima, não tem nenhuma prova dada para ocupar o lugar. Independentemente da simpatia que se tenha pelos anteriores presidentes, há alguma comparação entre Fernando Nobre e Jaime Gama ou Mota Amaral? Não têm os deputados o direito de querer manter alguma repeitabilidade em já tão desprestigiada instituição?

Não me espanta que Nobre se tenha sujeitado a esta humilhação. Quem faz toda uma campanha baseada no mais rasteiro dos populismos contra os partidos e os políticos e depois se pendura num partido para alimentar o seu ego; quem diz e escreve o que Nobre disse e escreveu sobre política internacional e depois apoia um governo que tem um dos maiores defendores da guerra do Iraque como ministro dos Negócios Estrangeiros; quem faz uma campanha com um discurso social de "esquerda" e depois concorre nas listas do mais ultraliberal dos dirigentes partidários; quem promete que não aceita lugares e ao fim de poucos meses os aceita já perdeu há muito tempo o respeito pela sua própria imagem pública.

Disse, antes das eleições: "se não for eleito presidente da AR, renuncio de imediato". Afinal vai ficar. Mais uma vez, pouco vale a sua palavra. Tantas criticas aos políticos, tão pouca autoridade para os criticar.

O fim desta história é uma lição de vida: a extraordinária vaidade de Nobre acabou com a sua respeitabilidade pública. Deixa em mau estado a associação que dirigia para acabar como um deputado de quinta linha. A aventura megalómana de Nobre acabou, como era de esperar, sem glória. E a sua carreira, mesmo que ele não saiba, acabou aqui. Curta, como tinha de ser.

Publicado no Expresso Online, por Daniel Oliveira








Tomou posse o XIX Governo Constitucional. Mesmo estando apreensivo e algo desconfiado e mesmo não tendo votado neles, desejo-lhes boa sorte...



  • Primeiro Ministro - Pedro Passos Coelho
  • Ministro de Estado e das Finanças - Vítor Gaspar
  • Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros - Paulo Portas
  • Ministro da Defesa Nacional - José Pedro Aguiar Branco
  • Ministro da Administração Interna - Miguel Macedo
  • Ministra da Justiça - Paula Teixeira da Cruz
  • Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares - Miguel Relvas
  • Ministro da Economia e do Emprego - Álvaro Santos Pereira
  • Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território - Assunção Cristas
  • Ministro da Saúde - Paulo Macedo
  • Ministro da Educação, do Ensino Superior e da Ciência - Nuno Crato
  • Ministro da Solidariedade e da Segurança Social - Pedro Mota Soares
  • Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - Luís Marques Guedes
  • Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro - Carlos Moedas
  • Secretário de Estado da Cultura - Francisco José Viegas

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Hoje é dia de pagar 6 mil milhões de euros e de pedir mais mil milhões...


Mano já faltou mais! Forte abraço...

Festas de Santo António...


Este ano estive a festejar em Santa Engrácia, zona que conheço bem e que faz parte da minha saudosa adolescência. Foi bom regressar...


Este ano Alfama não ganhou as marchas de Lisboa, mas tive que passar por lá. Durante a nossa busca pelo Largo de São Miguel, digo "nossa" porque não estava sozinho nesta missão. Desde já um forte abraço ao Ricardo e ao Bruno pela noite de Santo António. Vocês estão cá dentro! Parámos numa banca para beber mais umas mines. Mines essas que têm um efeito secundário bem conhecido. Os dois generosos e solidários comunistas (pelo menos assim o afirmavam) que a troco de alguns euros nos deram as mines, deixaram-me usar a sua modesta mas preciosa casa de banho. Para eles um forte abraço...

José Sócrates não pondera ficar em Portugal?...



Um país que é, nas palavras do seu anterior Primeiro-ministro, repleto de oportunidades para os mais e menos jovens, que tem um sistema educativo de fazer inveja aos finlandeses e que disponibiliza aos contribuintes o melhor sistema de saúde do mundo, devia conseguir manter dentro das suas fronteiras um cidadão com as qualidades de Sócrates...

sexta-feira, 10 de junho de 2011

No seu discurso do dia de Portugal, esse Grande Democrata de nome Anibal Cavaco Silva, abordou o interior. Devia dar-lhe uma diarreia borrante cada vez que proferisse a palavra interior...




Coisas  que escrevi anteriormente e que explicam o que penso do discurso de Cavaco Silva sobre o interior...

(...) O interior que foi entregue ao esquecimento e assistimos à migração de quase 35% da sua população... Passados quase 20 anos vai a Bragança agora como PR e pergunta «o que é que temos que fazer para que nasçam mais crianças nesta região?». A resposta é fácil, quando se deixa de investir e se retira o pouco que têm, como foi o caso da linha ferroviária Bragança – Mirandela, como ele fez quando era PM. A população desesperada começou a deslocar-se ou para o estrangeiro ou para o litoral onde ainda se vai encontrando alguma oferta de emprego. Posto isso, começam a fechar escolas, postos de correios, postos da GNR, dependências bancárias, pequenas e médias empresas... 

(...) Durante anos e décadas, enlodaram-nos com os seus interesses pessoais medíocres, pacóvios e mesquinhos. Alguns sofreram mais do que os outros. Basta ver o resto da Nação que vive/sobrevive no dito interior. Um fratricídio que contínua a fazer vítimas. Nesse dito interior da Nação, os velhos morrem, os jovens partem e às poucas crianças que vão nascendo é-lhes dada duas opções. Partir ou morrer! Fratricídio digo eu. Progresso e desenvolvimento dirão eles, o Asco.



Podia ser mais um caso de fuga de cérebros. Mas não é. É apenas uma fuga...


No dia de Portugal alguém disse o que muitos queriam dizer e o que poucos queriam ouvir. Obrigado António...




Nada é novo. Nunca! Já lá estivemos, já o vivemos e já conhecemos. Uma crise financeira, a falência das contas públicas, a despesa pública e privada, ambas excessivas, o desequilíbrio da balança comercial, o descontrolo da actividade do Estado, o pedido de ajuda externa, a intervenção estrangeira, a crise política e a crispação estéril dos dirigentes partidários. Portugal já passou por isso tudo. E recuperou. O nosso país pode ultrapassar, mais uma vez, as dificuldades actuais. Não é seguro que o faça. Mas é possível.

Tudo é novo. Sempre! Uma crise internacional inédita, um mundo globalizado, uma moeda comum a várias nações, um assustador défice da produção nacional, um insuportável grau de endividamento e a mais elevada taxa de desemprego da história. São factos novos que, em simultâneo, tornam tudo mais difícil, mas também podem contribuir para novas soluções. Não é certo que o novo enquadramento internacional ajude a resolver as nossas insuficiências. Mas é possível.

Novo é também o facto de alguns políticos não terem dado o exemplo do sacrifício que impõem aos cidadãos. A indisponibilidade para falarem uns com os outros, para dialogar, para encontrar denominadores comuns e chegar a compromissos contrasta com a facilidade e o oportunismo com que pedem aos cidadãos esforços excepcionais e renúncias a que muitos se recusam. A crispação política é tal que se fica com a impressão de que há partidos intrusos, ideias subversivas e opiniões condenáveis. O nosso Estado democrático, tão pesado, mas ao mesmo tempo tão frágil, refém de interesses particulares, nomeadamente partidários, parece conviver mal com a liberdade. Ora, é bom recordar que, em geral, as democracias, não são derrotadas, destroem-se a si próprias!

Há momentos, na história de um país, em que se exige uma especial relação política e afectiva entre o povo e os seus dirigentes. Em que é indispensável uma particular sintonia entre os cidadãos e os seus governantes. Em que é fundamental que haja um entendimento de princípio entre trabalhadores e patrões. Sem esta comunidade de cooperação e sem esta consciência do interesse comum nada é possível, nem sequer a liberdade.

Vivemos um desses momentos. Tudo deve ser feito para que estas condições de sobrevivência, porque é disso que se trata, estejam ao nosso alcance. Sem encenação medíocre e vazia, os políticos têm de falar uns com os outros, como alguns já não o fazem há muito. Os políticos devem respeitar os empresários e os trabalhadores, o que muitos parecem ter esquecido há algum tempo. Os políticos devem exprimir-se com verdade, princípio moral fundador da liberdade, o que infelizmente tem sido pouco habitual. Os políticos devem dar provas de honestidade e de cordialidade, condições para uma sociedade decente.

Vivemos os resultados de uma grave crise internacional. Sem dúvida. O nosso povo sofre o que outros povos, quase todos, sofrem. Com a agravante de uma crise política e institucional europeia que fere mais os países mais frágeis, como o nosso. Sentimos também, indiscutivelmente, os efeitos de longos anos de vida despreocupada e ilusória. Pagamos a factura que a miragem da abundância nos legou. Amargamos as sequelas de erros antigos que tornaram a economia portuguesa pouco competitiva e escassamente inovadora. Mas também sofremos as consequências da imprevidência das autoridades. Eis por que o apuramento de responsabilidades é indispensável, a fim de evitar novos erros.

Ao longo dos últimos meses, vivemos acontecimentos extraordinários que deixaram na população marcas de ansiedade. Uma sucessão de factos e decisões criou uma vaga de perplexidade. Há poucos dias, o povo falou. Fez a sua parte. Aos políticos cabe agora fazer a sua. Compete-lhes interpretar, não aproveitar. Exige-se-lhes que interpretem não só a expressão eleitoral do nosso povo, mas também e sobretudo os seus sentimentos e as suas aspirações. Pede-se-lhes que sejam capazes, como não o foram até agora, de dialogar e discutir entre si e de informar a população com verdade. Compete-lhes estabelecer objectivos, firmar um pacto com a sociedade, estimular o reconhecimento dos cidadãos nos seus dirigentes e orientar as energias necessárias à recuperação económica e à saúde financeira. Espera-se deles que saibam traduzir em razões públicas e conhecidas os objectivos das suas políticas. Deseja-se que percebam que vivemos um desses raros momentos históricos de aflição e de ansiedade colectiva em que é preciso estabelecer uma relação especial entre cidadãos e governantes. Os Portugueses, idosos e jovens, homens e mulheres, ricos e pobres, merecem ser tratados como cidadãos livres. Não apenas como contribuintes inesgotáveis ou eleitores resignados.É muito difícil, ao mesmo tempo, sanear as contas públicas, investir na economia e salvaguardar o Estado de protecção social. É quase impossível. Mas é possível. É muito difícil, em momentos de penúria, acudir à prioridade nacional, a reorganização da Justiça, e fazer com que os Juízes julguem prontamente, com independência, mas em obediência ao povo soberano e no respeito pelos cidadãos. É difícil. Mas é possível.

O esforço que é hoje pedido aos Portugueses é talvez ímpar na nossa história, pelo menos no último século. Por isso são necessários meios excepcionais que permitam que os cidadãos, em liberdade, saibam para quê e para quem trabalham. Sem respeito pelos empresários e pelos trabalhadores, não há saída nem solução. E sem participação dos cidadãos, nomeadamente das gerações mais novas, o esforço da comunidade nacional será inútil.

É muito difícil atrair os jovens à participação cívica e à vida política. É quase impossível. Mas é possível. Se os mais velhos perceberem que de nada serve intoxicar a juventude com as cartilhas habituais, nem acreditar que a escola a mudará, nem ainda pensar que uma imaginária "reforma de mentalidades" se encarregará disso. Se os dirigentes nacionais perceberem que são eles que estão errados, não as jovens gerações, às quais faltam oportunidades e horizontes. Se entenderem que o seu sistema político é obsoleto, que o seu sistema eleitoral é absurdo e que os seus métodos de representação estão caducos.

Como disse um grande jurista, “cada geração tem o direito de rever a Constituição”. As jovens gerações têm esse direito. Não é verdade que tudo dependa da Constituição. Nem que a sua revisão seja solução para a maior parte das nossas dificuldades. Mas a adequação, à sociedade presente, desta Constituição anacrónica, barroca e excessivamente programática afigura-se indispensável. Se tantos a invocam, se tantos a ela se referem, se tantos dela se queixam, é porque realmente está desajustada e corre o risco de ser factor de afastamento e de divisão. Ou então é letra morta, triste consolação. Uma nova Constituição, ou uma Constituição renovada, implica um novo sistema eleitoral, com o qual se estabeleçam condições de confiança, de lealdade e de responsabilidade, hoje pouco frequentes na nossa vida política. Uma nova Constituição implica um reexame das relações entre os grandes órgãos de soberania, actualmente de muito confusa configuração. Uma Constituição renovada permitirá pôr termo à permanente ameaça de governos minoritários e de Parlamentos instáveis. Uma Constituição renovada será ainda, finalmente, o ponto de partida para uma profunda reforma da Justiça portuguesa, que é actualmente uma das fontes de perigos maiores para a democracia. A liberdade necessita de Justiça, tanto quanto de eleições.Pobre país moreno e emigrante, poderás sair desta crise se souberes exigir dos teus dirigentes que falem verdade ao povo, não escondam os factos e a realidade, cumpram a sua palavra e não se percam em demagogia!

País europeu e antiquíssimo, serás capaz de te organizar para o futuro se trabalhares e fizeres sacrifícios, mas só se exigires que os teus dirigentes políticos, sociais e económicos façam o mesmo, trabalhem para o bem comum, falem uns com os outros, se entendam sobre o essencial e não tenham sempre à cabeça das prioridades os seus grupos e os seus adeptos.

País perene e errante, que viveste na Europa e fora dela, mas que à Europa regressaste, tens de te preparar para viver com metas difíceis de alcançar, apesar de assinadas pelo Estado e por três partidos, mas tens de evitar que a isso te obrigue um governo de fora.

País do sol e do Sul, tens de aprender a trabalhar melhor e a pensar mais nos teus filhos.

País desigual e contraditório, tens diante de ti a mais difícil das tarefas, a de conciliar a eficiência com a equidade, sem o que perderás a tua humanidade. Tarefa difícil. Mas possível.





quinta-feira, 9 de junho de 2011

Frase escutada na rua em relação à coligação entre PSD e CDS para governarem Portugal...


"Quem me comer, vai ter que me cagar"

Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007)




Precisa-se de matéria prima para construir um País por Eduardo Prado Coelho - in Público

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.

Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.

Pertenço a um país:
-Onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.

Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa. Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS . Nascidos aqui, não noutra parte... Fico triste.

Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier. Qual é a alternativa ? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias. Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO . AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO. E você, o que pensa ?...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sei que o texto é um bocado extenso, mas vale a pena ler...





Falo-vos não como um iluminado, nem mesmo um visionário. Falo-vos como um amigo, como um cidadão que quer o melhor para o seu país e para os seus co-cidadãos.

Vivemos tempos difíceis, de desânimo e de quase desesperança. O “chico espertismo” tornou-se prática vulgar e a mentira fácil é o verbo vigente. Culpados houve poucos. Inocentes somos quase todos. Mas só com muitos podemos novamente erguer este país conhecido além fronteiras pelo nome de Portugal.

As eleições de 5 de Junho de 2011 são, sem dúvida alguma, as mais importantes desde que somos uma democracia. Vai ser nestas eleições que vamos mostrar a nós e ao resto do mundo o que é que os Portugueses querem, pensam e desejam. Acima de tudo vamos mostrar se somos dignos de ser chamados de país civilizado.

Desde o memorável 25 de Abril de 1974 que fomos governados por vários partidos; a saber, PS, PSD e CDS. Nos últimos 26 anos estes partidos, bem como os seus líderes, estiveram no poder e escolheram um rumo, uma visão para Portugal. Passados estes 26 anos verificamos que a maioria das decisões não teve em linha de conta, nem o superior interesse da Nação, nem tão pouco o bem-estar da sua população. Para desilusão de muitos, principalmente estes últimos 6 anos de governação, foram tempo perdido. Perdemos bem-estar, liberdade, soberania; perdemos principalmente capacidade para nos indignarmos. Quando olhamos para o lado e verificamos que as coisas estão erradas e já nem nos conseguimos indignar, é sinal que algo de muito grave se passa no nosso país.

Durante 6 anos de governação houve um governo com maioria absoluta (4 anos) e um com maioria relativa (2 anos). Durante estes 6 anos o diálogo, a negociação, a compreensão, a justiça social foram palavras que nunca fizeram parte das suas acções. Apenas esporadicamente surgiram em discursos monocórdicos e desprovidos de qualquer intenção de mudar, de evoluir, de modificar e de aperfeiçoar uma sociedade já por si diminuída por sucessivos governos incompetentes, curtos de vista e, sou obrigado a dizer, governos com comportamento parolo.

Agora, esses mesmos partidos, com os mesmos líderes, vêm anunciar que o país está de joelhos e que batemos no fundo (os mesmo que têm aprovado os orçamentos de Estado com o aval do actual Presidente da República). Não por culpa deles, respondem os três em uníssono, mas por culpa dos outros (apontam eles em riste com o dedo acusador, não reparando que estão apontar para um espelho).

Mas o pior de tudo é que não se consideram parte do problema, mas sim parte da solução. Caros amigos estão confusos? Não vos censuro…

4 anos de maioria absoluta e mais 2 de relativa, mas mesmo assim querem mais. Querem a terceira vitória. Querem os 10 anos. Querem governar Portugal durante uma década. Até Jesus Cristo, homem de bondade reconhecida ofereceu a outra face, mas nunca ofereceu a face pela terceira vez…

A justiça é lenta, a justiça não é imparcial, a justiça é diferentes para os pequenos e para os grandes, diz o povo. Basta ver os escândalos que se arrastam, que rastejam pelos corredores dos tribunais. A figura da justiça como vocês bem sabem é a de uma senhora com um lenço a vendar os olhos. Existem na nossa democracia três poderes, o judicial, o executivo e o legislativo. Todos independentes uns dos outros. O poder legislativo é o da Assembleia da República, onde são votadas as leis e passam as que forem votadas pela maioria; é onde se decide que quem rouba para comer deve ir para a prisão e que quem não paga os salários dos que trabalham, ou quem suborna, ou indevidamente e escandalosamente gasta o dinheiro de todos para lucro e conveniência de alguns não seja preso. Quem devemos culpar? Os tribunais? Os agentes de autoridade? Ou aqueles que têm o poder democrático de criar as leis de forma a penalizar quem lesa os cidadãos? Assim torna-se difícil prender e responsabilizar penalmente aqueles que lesam o Estado, ou seja, os cidadãos. São eles que têm o poder de mudar, aperfeiçoar as leis e equilibrar os pratos da balança que a senhora de olhos vendados ergue com a sua mão esquerda.

Desenganem-se aqueles que pensam que não há nada a fazer. Pois nós, os cidadãos, é que temos o poder. Ele está na nossa consciência e é transferido para a ponta da caneta no momento em que somos chamados a exercer o acto de voto, de cidadania, de soberania e de liberdade. Não deve o povo temer o governo. Deve o governo temer o povo.

Eles sabem disso, sabem que o poder final está nas nossas mãos. Por isso, apresentam-se perante nós afirmando que ou os escolhemos a eles, ou escolhemos o caos. Somos levados a pensar que para além deles, destes autoproclamados virtuosos e pseudo-defensores do superior interesse da Nação, só existe o caos, a desesperança e o definhar de um grande país com mais de 900 anos de história e que é conhecido por ter dado novos mundos ao mundo. Mas será isto possível? Quais as opções que temos? Que pessoas querem fazer parte da solução?

Antes de mais não nos podemos esquecer do senhor que é o actual Presidente da República (PR), que vai no seu segundo mandato como PR e que está há quase 20 anos a influenciar o futuro de Portugal. Nunca governo algum teve acesso a 40 milhões de contos (200 milhões de euros) diários vindos da CEE, actual União Europeia. O que foi feito com esse dinheiro? Seguiu-se a política do cimento, do alcatrão, das auto-estradas… A pesca, a agricultura, a indústria, a educação e a investigação foram abandonadas… As cargas policiais na ponte 25 de Abril contra aqueles que tinham sido enganados, contra os estudantes, contra os trabalhadores, que reivindicavam melhores salários, bem como melhores condições de trabalho… A frase «nunca me engano e raramente tenho dúvidas»...O interior que foi entregue ao esquecimento e assistimos à migração de quase 35% da sua população... Passados quase 20 anos vai a Bragança agora como PR e pergunta «o que é que temos que fazer para que nasçam mais crianças nesta região?». A resposta é fácil, quando se deixa de investir e se retira o pouco que têm, como foi o caso da linha ferroviária Bragança – Mirandela, como ele fez quando era PM. A população desesperada começou a deslocar-se ou para o estrangeiro ou para o litoral onde ainda se vai encontrando alguma oferta de emprego. Posto isso, começam a fechar escolas, postos de correios, postos da GNR, dependências bancárias, pequenas e médias empresas… Mas, mesmo assim, depois de ter desperdiçado esses 40 milhões de contos (200 milhões de euros) diários em auto-estradas e na selva de pedra de Quarteira, Albufeira e outros… mesmo assim… ganhou as eleições e foi eleito para o seu segundo mandato como PR.

O país atravessa, possivelmente, a sua maior crise de sempre, e o nosso PR mantém-se no silêncio e pouco ou nada se sabe sobre como pretende tornar Portugal um país melhor. O pouco que vai dizendo é através do Facebook. Percebe-se, claramente, que o nosso PR tem uma “visão real” do país, pois com certeza parte do princípio que todos os lares portugueses têm acesso à internet e que estão todos registados no Facebook. A vantagem do Facebook é que o nosso PR não tem que responder às questões levantadas por aqueles que querem respostas olhos nos olhos, de uma forma humana e não vindas de um qualquer escritório sombrio.

O líder do CDS-PP decidiu vestir a personagem do político imaculado, preocupado com o povo, preocupado com a agricultura. O curioso é que este já esteve no poder num governo de coligação entre PSD/CDS. Ele já lá esteve e não fez melhor. Tão pouco defendeu a agricultura. Com o seu boné afirmou ser um homem da terra. Mas quando esteve no governo de coligação PSD/CDS foi ministro, não da sua amada agricultura, mas na Defesa e do Estado. Porque trocou ele a enxada pela G3? Porquê desperdiçar esta oportunidade? A resposta é fácil. É que o ministério da agricultura não tem acesso a informação privilegiada, classificada e secreta. E no mundo em que vivemos informação é poder. Não terá sido por acaso que, quando saiu do ministério da Defesa, fotocopiou 60 mil documentos onde alegadamente estariam segredos de estado. Documentos pessoais, disse ele na altura…

A verdade é que os ministérios mais importantes, não só pelo tipo de recursos que têm, mas pela informação que dispõem, são o ministério dos Negócios Estrangeiros e o da Defesa. Mas será que uma pessoa que fala tanto da evasão fiscal, quando esteve no governo tentou mudar alguma coisa nesta área, de forma a ajudar o povo, como ele gosta de dizer? Sim… tomou medidas… Maria José Morgado, na altura na Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Financeira da Polícia Judiciária, para surpresa geral, demite-se. Mais tarde, numa comissão de inquérito, Maria José Morgado revelou que foi Adelino Salvado, o então director nacional da PJ, que lhe tinha dito que eram Celeste Cardona e Paulo Portas que teriam receio que ela continuasse a liderar o combate ao crime económico na PJ. Em certos cargos quando se trabalha bem, começa-se a atrapalhar algumas pessoas.

O actual líder do PPD/PSD é um político de carreira, pois não lhe são conhecidas outras funções relevantes, a não ser ter pertencido à juventude social democrática. Percebe-se claramente que pretende seguir uma política ultra neoliberal, que se traduz em privatizar tudo e que a influência do Estado seja zero. O objectivo é a privatização em grande escala, ou seja, privatizar a educação, a saúde, bens e serviços, as águas, a electricidade, telecomunicações, caixa geral de depósitos, segurança social… quer ainda por um fim ao chamado Estado Social, pôr fim ao princípio de que todos descontamos para um bolo, para que aqueles que precisem de ajuda tenham um apoio nos momentos difíceis; e para que no dia que nós também necessitemos desse apoio, ele não nos falte. A solidariedade é para ser afastada caso ele ganhe as eleições.

Para conselheiro, o líder do PPD/PSD escolheu Eduardo Catroga que, para além de gostar de falar de pêlos púbicos em televisão, foi ministro das finanças de 1993 a 1995 do actual PR, e que na altura dos 40 milhões de contos (200 milhões de euros) diários não teve visão para que se deixasse de investir no cimento, no alcatrão e na selva de pedra, negligenciando então o que realmente importava, como a saúde, a educação, a investigação, a pesca, a agricultura, a indústria e as pequenas e médias empresas. Só através destas acrescentaríamos valor ao que produzíamos, conseguindo assim criar riqueza e tornando-nos mais competitivos.

Outro conselheiro do líder do PPD/PSD é Dias Loureiro. Antigo ministro da Administração Interna (1991 – 1995) no governo de Cavaco Silva. Ficou ligado ao bloqueio da Ponte 25 de Abril em 1994, ao chamar as forças de intervenção que, à força, fizeram desmobilizar os manifestantes a comando de Cavaco Silva. Mas este antigo ministro da Administração Interna (que tinha debaixo da sua tutela as forças policias da PSP, GNR e SEF) ficou ainda mais conhecido na sequência do seu alegado envolvimento em negócios ilegais da SLN em Porto Rico e Marrocos. Entrou na política a ganhar quarenta contos e só lucrou quando saiu. Ficou rico com a valorização do grupo de José Roquette e declarou rendimentos superiores a Belmiro de Azevedo.

Penso que o líder do PPD/PSD conseguiu reunir uma equipa ganhadora e, com eles, Portugal irá com certeza manter-se mais 4 anos colado ao fundo do poço.

É chegada a altura de falar do quase semi-Deus, o líder do PS. Digo semi-Deus, porque ele não é imortal, mas comporta-se como se fosse.

Passados 6 anos, cerca de 2190 dias, Portugal teve que pedir “ajuda externa”. Que existiu uma crise internacional, isso é inegável. Só não foi pior, porque em Portugal o Estado ainda tem algum poder de fiscalização e medidas de contenção de investimentos que as empresas públicas podem fazer; ao contrário do que defendem PSD e CDS com a sua política ultra-neoliberal e também o PS ainda que de forma envergonhada. A "Ajuda externa" veio, a TOIKA ordenou e o PS, PSD e CDS obedeceram e saiu o memorando em inglês, pois como se sabe a língua oficial em Portugal é o inglês e isso ajuda o comum Português a tirar as suas próprias conclusões sobre o "acordo". Mas o mais curioso é que os líderes do PS, PSD e CDS durante a sua campanha eleitoral, pura e simplesmente não falam dos sacrifícios que teremos que fazer.

Mas, mais que a crise mundial, ou externa se preferirem, foi a crise doméstica que nos levou à quase bancarrota. Problema conhecido há muito tempo, mas ignorado, omitido e negado quase até ao último dia. O líder do PS foi o Primeiro-Ministro (PM) que mais aumentou o IVA. Primeiro, disse que não ia aumentá-lo, depois veio a público dizer que as contas do Estado estavam tão mal, que era imperativo aumentá-lo para que o Estado pudesse receber mais dinheiro para equilibrar as contas. Passado algum tempo, mesmo tendo afirmado que não haveria necessidade de o aumentar novamente, eis que o IVA sofre novo agravamento. Mas os investimentos não acabavam, nem diminuíam. Magalhães, novo aeroporto de Lisboa, TGV, a 3ª auto-estrada Lisboa-Porto… e o distrito de Bragança continuando a ser o único do país que não tem um quilómetro de auto-estrada. O interior continua, passados estes anos todos, a não ser uma prioridade. Multiplicaram-se as famosas Parcerias Público-Privadas (PPP). Novos hospitais, novas barragens, novas vias de comunicação… não existem “almoços grátis”! Se não se tem dinheiro não se pode gastar, certo? Errado. Em vez de se rentabilizar os recursos que possuímos, diminuir ou extinguir fundações, institutos e reduzir os desperdícios (ou gorduras do Estado como alguns gostam de dizer), o que se fez foi fuga para a frente.

Se já se tinha aumentado o IVA, porque as contas do Estado estavam desacreditadas? O porquê destas obras imensas! Os resultados foram 59 mil milhões de euros que teremos que pagar durante 50 anos só com as famosas PPP. As PPP são uma doença medonha. Empresas privadas investem 10, gerem os empreendimentos durante 10, 20, 30 ou até mesmo 70 anos e, o Estado, ou seja nós, pagamos uma anuidade durante estes 10, 20, 30 ou até mesmo 70 anos. Conclusão, as empresas privadas investem 100 e ganham, durante esses anos, 1000. É melhor do que jogar no euromilhões, pois neste caso é certo que durante várias décadas, todos os anos sai um euromilhões “oferecido” pelos Portugueses.

Durante vários anos ouvimos que os Portugueses se estavam a endividar. O governo pedia contenção e poupança. Mas, o governo estava a portar-se como esses Portugueses que se endividavam. «Olha para o que eu digo e não para aquilo que eu faço» foi o provérbio mais usado pelo governo.

Durante 2190 dias, ou seja, 6 anos, andaram-nos a mentir, a enganar, a iludir. Não seria necessário pedir “ajuda externa”. Passada uma semana os mesmos dizem-nos que já só existe dinheiro para pagar os salários até ao mês de Maio. Não queriam lançar o pânico foi a resposta do líder do PS. Durante 2190 dias, em que o IVA subiu várias vezes e em que houve reestruturação dos escalões do IRS (sempre a exigir sacrifícios aos mesmos), não houve oportunidade de traçar um plano sério, rigoroso e justo para impedir que Portugal batesse no fundo? A solução continuava a ser a mesma, aumentar os impostos, reduzir salários e pedir empréstimos ao exterior a taxas impraticáveis de 8% e 9%. Pedir desenfreadamente crédito, após crédito para pagar os créditos pedidos, era a solução final deste governo… era insuportável! Nunca da boca do líder do PS e PM demissionário se escutaram palavras como, «enganei-me», «estava errado», ou simplesmente «peço desculpa». Expressões como «está tudo bem com o País», «Portugal está a crescer como nunca cresceu antes»… isso sim, era diário. Decorria o ano de 2008, estávamos em plena crise mundial, e houve alguém que afirmou «a crise acabou».

Psicólogos, pediatras e estudiosos dizem categoricamente que não se deve mentir às crianças. Porque é que adultos mentem a outros adultos? Para nos proteger? A verdade é sempre menos dolorosa que a mentira perneta e imoral. As pessoas tomaram decisões e assumiram compromissos mediante aquilo que o líder do PS e PM demissionário afirmava. E agora quem é que assume esses compromissos que foram assumidos com base em mentiras, omissões e falsidades?

A crise chega a todos? Vamos todos pagar a crise? Infelizmente não é assim. A crise vai continuar a ser paga pelos mesmos. A banca, os grandes grupos económicos continuam a ter lucros recordes, mas pagando o mínimo dos mínimos. O governo durante os 2190 dias podia ter feito uma reforma séria na legislação fiscal, mas preferiu fazer o mais fácil. Subiu o imposto mais injusto de todos (o IVA), diminuiu as ajudas sociais e sobrecarregou mais uma vez a classe média. Será isto justo, merecido ou moralmente correcto?

Diz-se que o líder do PS e PM demissionário é de todos, aquele que tem mais experiência para governar Portugal. Eu concordo que ele tem muita experiência, pois em 2190 dias conseguiu passar a dívida pública de 80 mil milhões para 160 mil milhões de euros.

Está na altura de mudar. Não podemos dar a vitória a alguém que nos mente, que nos penhora o futuro e que nos rouba o legítimo direito de alcançar mais e melhor bem-estar. Dar-lhe a vitória seria como alguém roubar-nos a carteira, agradecermos ao gatuno com um apertar de mãos e ainda lhe dávamos a chave de nossa casa e dizíamos «hoje à noite não vou estar lá».

Igualdade, justiça e liberdade são mais do que palavras. Se temos que mudar, mudemos a sério. Não é mudar para ter mais do mesmo. PS, PSD e CDS já estiveram no poder e o resultado está à vista. Vivemos melhor agora do que há 6 anos atrás?

Somos ricos, muitíssimo mais do que cremos. Ricos pelo que possuímos já; ainda mais ricos pelo que podemos conseguir com os instrumentos actuais; infinitamente mais ricos pelo que pudéssemos obter do nosso solo, da nossa ciência e da nossa habilidade técnica, se se aplicassem a tentar o bem-estar de todos. Porque existe esta miséria em nosso torno? Porquê este trabalho penoso e embrutecedor das massas. Porquê esta insegurança no amanhã? Porque é que a riqueza está mal distribuida?

Mudemos, mudemos para aqueles que já no tempo da ditadura, lutaram e resistiram, sendo que muitos foram assassinados, torturados, exilados e presos para que hoje podessemos escolher o melhor para nós. Vamos votar naqueles que sempre estiveram, estão e continuarão a estar ao lado nos que trabalham honestamente e que querem uma sociedade mais justa, mais próspera e mais equitativa. Non abbiate paura (não tenhais medo) e faz o desvio à esquerda.

«Vivem demasiados seres humanos e pendem, tempo de mais, dos seus ramos. Oxála venha uma tempestade, que sacuda da árvore todos esses frutos pútridos e carcomidos!» Nietzsche no livro Assim falava Zaratustra.

Depois de ver este Grande filme, se alguém me diz que algo é impossível. Eu vou responder: "impossivel, não sei o que isso é..."


Filmado ao longo de dois anos (agosto de 2007 a maio de 2009), Lixo Extraordinário acompanha o trabalho do artista plástico Vik Muniz em um dos maiores aterros sanitários do mundo: o Jardim Gramacho, na periferia do Rio de Janeiro. Lá, ele fotografa um grupo de catadores de materiais recicláveis, com o objetivo inicial de retratá-los. No entanto, o trabalho com esses personagens revela a dignidade e o desespero que enfrentam quando sugeridos a reimaginar suas vidas fora daquele ambiente. A equipe tem acesso a todo o processo e, no final, revela o poder transformador da arte e da alquimia do espírito humano.


segunda-feira, 23 de maio de 2011

V for Vendetta...


"A anarquia ostenta duas faces. A de Destruidores e a de Criadores. Os Destruidores derrubam impérios, e com os destroços, os Criadores erguem Mundos Melhores."

Vi e fiquei fã, frases como"O povo não deve temer o seu governo, o governo deve temer o seu povo" ajudaram! Agora o que eu quero mesmo é adquirir o livro de BD que deu origem ao filme...



Freedom! Forever!
 
No filme “V de Vingança” (V for Vendetta – EUA, Alemanha/2006), baseado na sensacional graphic novel homônima de Alan Moore, nos é apresentada uma historia universal e com características marcadamente políticas. Moore se inspirou no Fascismo (sistema político ditador, nacionalista e anti-democrático, surgido na Europa após a Primeira Guerra Mundial e que se espalhou por diversos países) para criar o ambiente da narrativa de “V de Vingança”, que apesar de fictícia, lembra bastante tempos sombrios da Historia da humanidade e nos traz questionamentos sobre nosso atual momento político.

Esse ambiente é uma Inglaterra fictícia e futurista, governada por um regime totalitário representado na figura emblemática do General Adam Sutler, personagem que nos lembra em muito o famoso Adolf Hitler (1889 – 1945) que liderou um regime fascista na Alemanha pós-Primeira Guerra. Até mesmo seu nome Adam Sutler é um anagrama criado por Moore para lembrar o Fuher alemão.

Na história, o mundo está em guerra. Uma tragédia biológica foi responsável pela morte de milhões de pessoas na Inglaterra após um atentado no metrô de Londres e numa escola em que várias crianças foram mortas. O partido político de extrema-direita do General Sutler aproveitou-se da situação para culpar mulçumanos e opositores do governo pelo atentado e posteriormente culpando os homossexuais e segmentos minoritários pela decadência do país, reforçando a perseguição aos mesmos. (tal Hitler e os judeus na Alemanha).

O General Sutler após assumir o controle da Inglaterra, se intitula Auto Chanceler, cargo mais alto na hierarquia de poder. Seu governo é uma ditadura: não concebe direitos democráticos e persegue opositores. Há também campos de concentração para os inimigos do Governo.

A tática de Sutler para assumir o poder foi “fabricar” um inimigo que precisava ser combatido e somente um regime totalitário seria forte o suficiente para manter a paz e a ordem, desse modo, ele manipula uma população assustada. Para isso, ele utiliza principalmente a mídia para controlar as pessoas. Na fictícia Inglaterra, admiti-se a existência de apenas um canal de televisão estatal, a BTN (uma espécie de CNN), responsável por transmitir apenas as notícias que o governo permite ou fabrica.

Há também uma polícia especial intitulada “HOMENS- DEDO” que vigia a população e monitora suas conversas, punindo qualquer um que ouse duvidar das intenções do Estado. Outra forma de manipulação do Regime de Sutler é o “toque de recolher”: a partir de determinado momento não se pode permanecer na rua, sofrendo o risco de punição dos homens-dedo. Esse toque de recolher é uma maneira de evitar que as pessoas façam o que quiserem nas ruas altas horas da noite, diminuindo o direito de ir e vir.

O governo pretende saber exatamente o que as pessoas estão fazendo, onde estão e se estão partilhando ideias. Um dos temores do Alto Chanceler é ver as pessoas unidas em aglomerados. A lógica é que para manter o Regime é necessário separar os indivíduos e mantê-los isolados em suas casas para que não troquem ideias sobre as decisões do Estado. O exército está a postos para separar quaisquer manifestações populares, embora estas sejam praticamente inexistente devido ao medo, ou como o filme sugere, o conformismo das pessoas.

Juntas as pessoas tem poder para lutar contra um regime que as oprime e que limita sua liberdade. Gustave Le Bon em A psicologia das Multidões dizia que “As massas são perigosas”. Le Bon se referia principalmente ao caráter irracional dos indivíduos unidos numa multidão e os instintos mais primitivos do homem presentes nela.

Na historia, a multidão é perigosa para o Governo de Sutler. O terrorista, nacionalista e anarquista conhecido apenas por V (de Vingança) sabe disso: “O povo não deveria temer seu governo. O governo é que deve temer o povo”. O mascarado V é um terrorista, fruto de experiências biológicas em campos de concentração do regime totalitário.

No entanto, V não quer apenas sua vingança pessoal pelo o que fizeram com ele. Ele pretende a vingança de uma nação inteira, que quer de volta sua liberdade, pois ele representa uma ideia e “ideias não sangram”, ideais nunca morrem. Por isso, além de um homem ele é um símbolo. Quando V é baleado diversas vezes lhe perguntam: “Por que você não morre?”. Ao que V responde: “Não há carne e sangue dentro deste manto, há apenas uma ideia. Ideias são à prova de balas”.

V personifica a anarquia contra a Ditadura de Sutler. Ele é um terrorista que usa bombas para explodir prédios que são símbolos do poder do Estado. Assim, V mostra que às vezes para lutar pela liberdade utilizar alguns recursos drásticos é um mal necessário. Para falar à Inglaterra, ele invade a TV estatal e utiliza o mesmo recurso de Sutler para atingir as pessoas: a mídia. As pessoas são o público.

O público está relacionado com os fenômenos midiáticos, desde a invenção da imprensa até a Internet nos dias de hoje, o público sofre influência do que ler e do que assiste. No filme “V de Vingança” vemos isso claramente, na maior parte do tempo as pessoas se comportam como expectadores da TV estatal e dividem o mesmo vínculo com as notícias que lhes passadas e que absorvem, o que os caracterizam como público.

Um dos primeiros passos de V é destruir a BTN, para que as pessoas deixem de serem expectadores que absorvem notícias inventadas por alguém. V deseja que elas voltem a ser multidão, convida a todos estarem presentes no dia cinco de novembro em frente o parlamento inglês para exigirem o que é seu por direito. Para deixarem de ser passivos e alienados. V explode o último símbolo: o parlamento.

O regime opressor cria sua própria destruição a partir do momento que priva as pessoas de seus direitos. Nesse sentido, o Estado “cava sua própria cova”. Surge a revolução popular, o povo une-se em uma massa que deseja derrubar seu opressor. V apela para a força dos ideais para chamar as pessoas a agirem e a “sair de suas casas” e exigir a liberdade. Como diz o lema de V, “liberdade sempre”.

Bem sei que esta informação já vem tarde, mas consegui lá dar um salto e foi uma experiência interessante. Para o ano estejam atentos e passem por lá...



A Feira do Livro anarquista, na sua 4ª edição de 20 a 22 de Maio, cria uma vez mais espaço para a divulgação das ideias anarquistas a partir dos livros e das publicações, levando a debate as ideias e análises sobre questões que nos assaltam a vida em tempos de guerra social.

Dedicamos um dos dias à crítica do desenvolvimento que o capitalismo e o Estado tentam impor. Partindo dos seus projectos e das suas investidas contra a Natureza e os locais onde vivemos, queremos discutir formas de travar esse desenvolvimento e passarmos nós ao ataque.

Noutro dia questionamos as recentes manifestações de descontentamento nas ruas reflectindo sobre os caminhos que nos poderão levar a uma ruptura com o Estado e com a economia. Duas questões que, embora separadas, se cruzam inevitavelmente.

Procuramos estimular a luta, a solidariedade e a reflexão como formas de combate às várias faces da autoridade

A crise tem destas coisas...


Agradeço desde já a quem me enviou esta foto esclarecedora.
Imaginem alguém que vai a um serviço de urgência e durante a triagem o profissional de saúde pergunta-lhe, porquê é que veio à urgência, do que é que se queixa?
E a resposta é "vim à urgência porque procuro um emprego neste hospital".
Com a crise ai, irão aparecer cada vez mais formas criativas de se fazer ouvir para arranjar um emprego...