"Afastar muitos para longe do rebanho, foi para isso que eu vim!" Nietzsche

sábado, 12 de julho de 2014

quarta-feira, 11 de junho de 2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

Mineiros...



































Che Guevara, dia 12 de Março de 1952, minas de Chuquicamata, Chile.
"Ali nos fizemos amigos de um casal de jovens mineiros que eram comunistas (...) O casal, hirto na noite desértica, apertados um contra o outro, era a expressão viva do proletariado de qualquer mundo... não tinha nem uma mísera manta com que se cobrir, de forma que lhe demos uma das nossas. Esse foi um dos momentos em que mais frio passei, mas em que também me senti mais irmanado com esta para mim estranha espécie humana". Nunca mais esqueci estas palavras. 
Tenho um profundo respeito por todos aqueles que foram, são e continuam a ser um símbolo de luta, de resistência e que tantas vezes se sacrificaram para que outros alcançassem melhores condições de trabalho e uma vida melhor. Quase todas as grandes lutas por melhores condições de trabalho foram encabeçadas por mineiros e muitas vezes com o sacrifício da própria vida. Pessoas que não vimos, que não ouvimos, que não conhecemos. Mas de cada vez que ligamos a TV, que tomamos banho, que acendemos uma luz, que atendemos o tlm, que oferecemos um anel, que se realiza uma cirurgia ou simplesmente quando estamos sentados à mesa a comer, o trabalho de um mineiro está presente. 
Historicamente os mineiros estão profundamente relacionados com a melhoria da qualidade de vida da Humanidade (redução da carga semanal de trabalho, redução da carga horária, melhores salários, foi com eles que o conceito de strike (greve) ganhou uma nova força, bem como o sindicalismo; estiveram ainda envolvidos na criação de projectos de seguro na velhice, doença e acidente com base nas contribuições dos trabalhadores e empresários a uma caixa que administrava os respectivos fundos, contratava serviços e pagava prestações).
Os mineiros são homens e mulheres resistentes, resilientes e com uma capacidade de trabalho imensa. E como o Ricardo Araújo Pereira disse uma vez numa entrevista "porque um mineiro que esteja a ler a revista pensa «desgastante isto, mas o quê? Inventar uma palhaçada por dia?» Quando digo «eu estou um bocadinho cansado», ocorre-me sempre um mineiro e faço-me homem..." 
O dia 12 de Março 1952 para Che fez toda a diferença, talvez tenha sido esse dia que o fez tornar naquilo que veio a ser.
Dei por mim a pensar nisto depois de uma conversa em que se falava sobre a diminuição do valor do trabalho. Não podemos deixar de lutar para que o sacrifício e a luta de muitos e em especial dos mineiros tenha sido em vão...

quarta-feira, 12 de março de 2014

Obrigado a todos aqueles que ainda me seguem, um abraço fraterno...


Sabedoria popular...


Zeca Afonso...


Trouxa Mocha. O que é Português é bom..






"Sou menos do que tu pensas e mais do que imaginas..."


Voltou-se a repetir o irrepetível..


 Mãe Migrante (Migrant Mother). – Dorothea Lange. – Fotografia feita em Nipomo, Califórnia, entre fevereiro e março de 1936. A imagem de Florence Owens Thompson, uma mulher retirante, e dos seus sete filhos, tornaram-se o símbolo da miséria provocada pela grande depressão de 1929.

A miséria dos catadores de ervilhas, dos trabalhadores do campo, é refletida nos olhos de Florence Owens Thompson, aqui amparando nos ombros dois dos seus sete filhos e um terceiro nos braços. A ambição humana explodira a Bolsa de Nova York em 1929, levando o mundo à miséria e à fome. A mulher fotografada traz no rosto o semblante latente da fome, ainda assim, demonstra uma dignidade pulsante, uma força que a faz sobreviver às hostilidades de um mundo cáustico em seu capitalismo desmedido.

Não é a mulher que posa para a fotografia, e sim a mãe, um ser totalmente desprovido das vaidades femininas, com as mãos maltratadas, feitas para afagar a prole no momento da fome. As rugas na testa e em volta dos olhos iluminam a madona, apagando a Eva que um dia transitou nua pelo paraíso de si mesma, a mulher que sobrevive das aves que os filhos caçam, que mora em uma barraca coberta por lona. Aos trinta e dois anos, Florence Owens Thompson traz as marcas profundas do seu tempo, se a juventude esvai-se com a fome que a assombra, a sua beleza agreste traz toda a profundidade do mundo.

“Mãe Migrante” não nos revela a luz de uma imagem de um país africano, asiático ou do nordeste brasileiro, mas do país mais poderoso e rico do mundo, que na perseguição ambiciosa dos especuladores financeiros, gerou a mais profunda depressão e miséria. A imagem correu os Estados Unidos e o mundo, transformando-se no símbolo da depressão americana. Curiosamente, em 2008 os especuladores financeiros continuam a jogar sobre o mundo a sombra do colapso e da miséria, frutos da ganância de Wall Street...

Factos: dinheiro colocado no BPN 8,5 mil milhões. Orçamento para cultura este ano, 174 milhões. O exercício que vou explanar a meu ver é legítimo, interessante e bastante esclarecedor. Se dividíssemos o dinheiro já injectado no BPN pelo orçamento para a cultura e se este fosse sempre de 174 milhões todos os anos. Tínhamos orçamento garantido para a cultura durante 48 ANOS. Sim leu bem, 48 ANOS. Já o outro dizia "é fazer as contas"...