"Afastar muitos para longe do rebanho, foi para isso que eu vim!" Nietzsche

sábado, 12 de julho de 2014

Os cortes serviram para evitar o colapso do sistema de saúde português???




















Os dados divulgados no início desta semana pela OCDE são taxativos: «Portugal continua a ser dos países em que o financiamento público menos cobre as despesas de saúde», o que nos coloca na cauda do conjunto de Estados membros daquela organização. De facto, Portugal chega mesmo, em 2012, a ocupar o último lugar na Europa dos 15, com uma despesa pública em saúde em percentagem do PIB de 5,9% (que é assim inferior à da Grécia, situada em 6,2%). E se em 2010 este indicador estava em linha com a média observada na OCDE (6,8%), sendo contudo inferior à média dos países da UE15 (7,8%), as diferenças acentuam-se em 2012, com praticamente menos um ponto percentual face à média da OCDE e com quase menos dois pontos percentuais de diferença face à média dos países da Europa dos 15. Não é à toa, portanto, que se escolhe ir, em dobro, «além da troika».

O peso da despesa pública em saúde, ao ser «calibrado» em percentagem do PIB, tem um significado muito relevante. Ele diz-nos, no fundo, que parcela da riqueza produzida por um país decide o governo afectar ao sector, evidenciando assim o grau de importância que lhe é atribuído no quadro geral da despesa pública. Podemos, na verdade, produzir menos riqueza que a Alemanha, a Holanda ou a Dinamarca. Mas o que está em causa é outra coisa: relativamente à riqueza que produzimos, o Estado português gasta proporcionalmente menos com saúde do que os Estados desses países. E essa constatação deveria bastar para desmentir todas as narrativas fraudulentas e populistas - a la Medina Carreira - em torno das pretensas «gorduras do Estado Social» e da sua suposta «desmesura» e «insustentabilidade», face às «capacidades» da «economia real» para «suportar» esses «encargos».


Perante estes dados - que evidenciam o afastamento crescente de Portugal, desde 2010, em relação à OCDE e à UE15 - causa pois a maior das perplexidades que o Comissário Europeu da Saúde, Tonio Borg, tenha tido a descomunal lata de considerar que, no quadro do Memorando de Entendimento assinado com a troika, «as reformas foram bem sucedidas a reduzir a despesa em saúde em percentagem do Produto Interno Bruto». Para concluir, ainda com maior despudor, que «os cortes serviram para evitar o colapso do sistema de saúde português». Colapso? Mas que colapso? Estará porventura o comissário europeu a sugerir que «evitámos», desta forma, o tenebroso «risco» de afectar, ao sector da saúde, uma parte da riqueza nacional proporcionalmente equivalente àquela que a generalidade dos países europeus lhe dedica?...

Breve história da Terra dita Santa. Muito bom, vale a pena ver e ouvir...

Pântano portubes!



Ó bes salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te mantermos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas encolheram os pés
Para ficares com o nosso, ó bes!

Sejam pro-activos mas conformem-se


Os arautos da nova psicologia, que criticam a lamúria e exortam os portugueses a ser pro-activos e a dar a volta por cima, são os mesmos que contestam o inconformismo de quem anda a ver a vida a andar para trás. Comparando os níveis de desenvolvimento actuais com os dos tempos dos nossos avós, lembram a este povo mimado que nunca viveu tão bem como agora..

Relatório Primavera 2014...


GRANDE José Saramago...


Ouvi por aí. "Mesmo cheio de esperança, vou morrendo devagar"...


GRANDE Miguel Torga...


Mas ainda há uns acéfalos que acham que não...


Só para relembrar...



quarta-feira, 11 de junho de 2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

Mineiros...



































Che Guevara, dia 12 de Março de 1952, minas de Chuquicamata, Chile.
"Ali nos fizemos amigos de um casal de jovens mineiros que eram comunistas (...) O casal, hirto na noite desértica, apertados um contra o outro, era a expressão viva do proletariado de qualquer mundo... não tinha nem uma mísera manta com que se cobrir, de forma que lhe demos uma das nossas. Esse foi um dos momentos em que mais frio passei, mas em que também me senti mais irmanado com esta para mim estranha espécie humana". Nunca mais esqueci estas palavras. 
Tenho um profundo respeito por todos aqueles que foram, são e continuam a ser um símbolo de luta, de resistência e que tantas vezes se sacrificaram para que outros alcançassem melhores condições de trabalho e uma vida melhor. Quase todas as grandes lutas por melhores condições de trabalho foram encabeçadas por mineiros e muitas vezes com o sacrifício da própria vida. Pessoas que não vimos, que não ouvimos, que não conhecemos. Mas de cada vez que ligamos a TV, que tomamos banho, que acendemos uma luz, que atendemos o tlm, que oferecemos um anel, que se realiza uma cirurgia ou simplesmente quando estamos sentados à mesa a comer, o trabalho de um mineiro está presente. 
Historicamente os mineiros estão profundamente relacionados com a melhoria da qualidade de vida da Humanidade (redução da carga semanal de trabalho, redução da carga horária, melhores salários, foi com eles que o conceito de strike (greve) ganhou uma nova força, bem como o sindicalismo; estiveram ainda envolvidos na criação de projectos de seguro na velhice, doença e acidente com base nas contribuições dos trabalhadores e empresários a uma caixa que administrava os respectivos fundos, contratava serviços e pagava prestações).
Os mineiros são homens e mulheres resistentes, resilientes e com uma capacidade de trabalho imensa. E como o Ricardo Araújo Pereira disse uma vez numa entrevista "porque um mineiro que esteja a ler a revista pensa «desgastante isto, mas o quê? Inventar uma palhaçada por dia?» Quando digo «eu estou um bocadinho cansado», ocorre-me sempre um mineiro e faço-me homem..." 
O dia 12 de Março 1952 para Che fez toda a diferença, talvez tenha sido esse dia que o fez tornar naquilo que veio a ser.
Dei por mim a pensar nisto depois de uma conversa em que se falava sobre a diminuição do valor do trabalho. Não podemos deixar de lutar para que o sacrifício e a luta de muitos e em especial dos mineiros tenha sido em vão...